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abr 21

Saiba como foi o Seminário de Diversidade Sexual e Sustentabilidade em Itaquaquecetuba

Foto final evento

Foto final evento

A Fundação Verde Herbert Daniel promoveu no último dia 19 de abril, sábado em Itaquaquecetuba (etapa Alto Tietê), o segundo Seminário de Diversidade Sexual e Sustentabilidade, proposto pelo ativista André “Pomba”. O seminário aconteceu na sede da ACIDI – Associação Comercial e Industrial de Itaquaquecetuba, na rua Carlos Barbosa da Silva, 51 – Centro. A coordenação local ficou a cargo do ativista e consultor técnico da prefeitura de Itaquaquecetuba Ghe Santos. Os palestrantes foram Leo Moreira (Lou & Leo), Romildo Campello (Secretário de Meio Ambiente de Mogi das Cruzes), Cássio Rodrigo (Assessoria de Gêneros e Etnias da Secretaria de Estado da Cultura) e Rute Alonso (Conselho Municipal LGBT de São Paulo). O seminário teve o público de 18 pessoas, duração de 5 horas e teve os seguintes paineis: Gestão Pública, Sustentabilidade, Militância LGBT e de Travestis & Transexuais e uma roda de bate-papo.
O Secretário de Meio Ambiente de Mogi das Cruzes, Romildo Campello, abriu os trabalhos traçando um panorama da sustentabilidade na região do Alto Tietê, o que tem sido feito e desafios. Após traçar dados populacionais e territoriais da região, com destaque para as áreas de proteção ambiental, Romildo expôs a situação do abastecimento de água na região e da preocupação com o tratamento do esgoto, deficitário justamente nas regiões próximas dos mananciais. Também expôs que a maioria das cidades do Alto Tietê ainda não concluiram o plano de saneamento obrigatório que envolve o uso da água, tratamento de esgoto, resíduos solidos e drenagem do solo. Por fim, elencou os principais desafios e mais urgentes no momento: Água para todos, Tratamento de esgoto, Diminuir a quantidade de lixo gerado e tratar adequadamente os resíduos. Citando também a necessidade de proteção da biodiversidade.

Em seguida o coordenador da Assessoria de Gêneros e Etnias (ACGE) da Secretaria de Estado da Cultura, Cássio Rodrigo, abriu os trabalhos citando a transversalidade nas políticas públicas LGBT, nas áreas de Educação, Cultura, Saúde, Segurança, Direitos Humanos e Assistência Social. Explicou sobre os princípios de Yogyakarta, com a obrigação dos Estados respeitarem e criarem políticas com respeito a orientação sexual e identidade de gênero, que nortearam a criação do programa Brasil Sem Homofobia e do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT. Sobre a atuação na ACGE, disse que as ações pautam-se na Diversidade Humana, Representação ideal, Quebra de estigmas, Mudança de paradigmas e Visibilidade. Falou também sobre cultura LGBT aonde citou o programa de incentivo ProAc LGBT, do Museu da Diversidade Sexual, do Cine Clube Diversidade e Exposição Homofobia fora de Moda, como principais políticas do seu órgão. Finalizou fazendo uma defesa contundente das Paradas do Orgulho LGBT.

Sobre militância LGBT, Rute Alonso do Conselho Municipal LGBT de São Paulo, como representante do segmento de lésbicas, fez um explicativo da atuação do conselho, que transcende o mito de que é somente uma interface entre o poder público e a sociedade civil. Também disso que o conselho paulistano está longe de somente endossar o que é feito pelo poder público, e que também atua de forma critica e propositiva, dentro das suas limitações legais (pois é consultivo e não deliberativo). Disse que além das reuniões mensais que são abertas ao público, que conselheiros visitam equipamentos públicos como albergues em busca do respeito ao tratamento ao cidadão LGBT e faz visitas em locais que apresentam problemas de convívio como na região do Tatuapé,além do Autorama LGBT que foi fechado pela prefeitura, o que fez com que o conselho criasse o programa Autorama Legal, visando sua reabertura e revitalização. Finalizou falando da atuação da Defensoria Pública, aonde estagia, e como ela pode ajudar quem for discrminado por conta da sua orientação sexual ou identidade de gênero.

Para falar das peculiaridades do segmento de travestis e transexuais, o trans homem Leo Moreira começou falando da sua infância na cidade de São Simão, no interior de São Paulo e as suas dúvidas sobre sua própria sexualidade. Contou que se descobriu melhor ao se mudar a Grande São Paulo, aonde pode ganhar consciência política atuando nas greves operárias da região do ABC e ao entrar na USP, aonde estudou ciências sociais. Contou da sua experiência no grupo SOMOS, o primeiro de luta LGBT do país, e do seu trabalho artístico na banda de punk rock feminina As Mercenárias aonde se assumiu como lésbica. Contou da sua relação e do seu casamento com a travesti Gabriela Bionda, e de como sofriam preconceito dentro do próprio meio LGBT. Falou também do seu envolvimento com drogas e da sua prisão por 5 anos e de como teve que recomeçar sua vida após os 50 anos. Ganhou notoriedade ao se envolver no meio teatral, principalmente por sua atuação na peça auto-biográfica Lou & Leo. Finalizou explicando as tranformações do seu corpo com o uso de hormônios e da mastectomia (retirada das mamas) e que se sente bem fugindo da binaridade de gêneros homem/mulher e que se auto-define como ser humano.

Por último foi feita uma interessante roda de papo papo, mediada pelo conselheiro municipal LGBT de São Paulo e coordenador do PV Diversidade, André “Pomba”. Nela, os participantes puderam se aprofundar nas questões que foram trazidas pelos palestrantes, bem como esclarecer as dúvidas das falas.

O próximo seminário será realizado em Catanduva (26 de abril). Maiores informações no evento do facebook: https://www.facebook.com/events/753621858015470/.

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